Nvidia promete o dobro de chips em 2027 após faturar US$ 96 bi num trimestre
Jensen Huang não costuma dar números para o ano seguinte. Em 17 de setembro de 2026, em um evento no Reino Unido, o CEO da Nvidia deu: a empresa espera vender o dobro de chips em 2027 em relação a 2026, puxada por investimentos em IA “em todas as indústrias e países”. A frase fez a ação subir 2% no dia seguinte e chega sobre um trimestre que já era recorde — US$ 96,2 bilhões de receita, alta de 106% em um ano. Entenda os números por trás da promessa e o que pode atrapalhar.
Resposta rápida: o que Huang disse?
Que o volume físico de chips vendidos pela Nvidia deve dobrar em 2027. Em agosto, a empresa já havia projetado receita 70% maior no próximo ano fiscal e dito que ela poderia dobrar se houvesse oferta suficiente. A nova fala trata de unidades, não de dinheiro: sugere que a expansão de hardware pode ser ainda mais rápida que a de receita. Para o trimestre atual, a guidance é de cerca de US$ 108 bilhões.
Os números que sustentam a promessa
| Indicador | Valor | Variação |
|---|---|---|
| Receita do 2º trimestre fiscal | US$ 96,2 bilhões | +106% em um ano |
| Receita de data center | US$ 89 bilhões | +117% |
| Guidance do 3º trimestre | ~US$ 108 bilhões | — |
| Projeção de receita (próximo ano fiscal) | +70% (ou o dobro, com oferta suficiente) | Agosto/2026 |
| Volume de chips em 2027 | 2x em relação a 2026 | Declaração de 17/9 |
Quase todo o crescimento vem de data centers: US$ 89 bilhões dos US$ 96,2 bilhões. É o dinheiro de OpenAI, Anthropic, Google, Microsoft, Meta e dos governos que estão construindo “fábricas de IA”.
De onde vem a confiança
Vera Rubin e a métrica por megawatt
A próxima plataforma da Nvidia, Vera Rubin, mostrou em testes até sete vezes mais tokens por megawatt que o Blackwell. Como energia virou o limite físico dos data centers, um chip que faz mais com a mesma eletricidade vende mais unidades sem depender de novas usinas.
Demanda contratada
Startups de infraestrutura como a Crusoe (US$ 3,9 bi captados esta semana) e a Figure AI (até 100 mil GPUs contratadas) mostram que a fila de compradores vai além das big techs. E a Broadcom, concorrente em chips customizados, cresceu 86% no mesmo período — o bolo inteiro está crescendo.
O que pode dar errado
Três riscos aparecem nas próprias palavras de Huang. Oferta: dobrar unidades depende da TSMC, de memória HBM e de energia — e a empresa já admitiu que a receita “poderia dobrar se houvesse oferta”. Wall Street: na mesma semana, analistas questionaram o retorno dos investimentos em infraestrutura de IA, e ações do setor oscilaram. Geopolítica: Huang participou do jantar de Estado com Xi Jinping, mas as restrições de exportação para a China seguem, e a Huawei acaba de antecipar em nove meses seu próximo chip de IA.
Por que isso importa para você
Para investidores, a promessa de dobrar unidades é o dado mais agressivo que a Nvidia já deu em público — e será cobrado trimestre a trimestre. Para empresas brasileiras que usam nuvem, mais chips significa mais capacidade e, com o tempo, preço menor por token de IA. E para quem acompanha o setor, o recado é que a “bolha ou não” de 2026 será decidida por um número simples: se a Nvidia entregar o dobro de chips e os clientes continuarem comprando, não era bolha.
Perguntas frequentes
Quanto a Nvidia faturou no último trimestre?
US$ 96,2 bilhões no segundo trimestre fiscal, alta de 106% em um ano, com US$ 89 bilhões vindos de data centers (+117%). A guidance para o trimestre seguinte é de cerca de US$ 108 bilhões.
O que Jensen Huang prometeu para 2027?
Que a Nvidia venderá o dobro de chips em 2027 em relação a 2026, declaração feita em 17 de setembro de 2026 em evento no Reino Unido.
Por que a ação da Nvidia subiu?
A ação avançou cerca de 2% após a fala de Huang sobre dobrar o volume de chips, um sinal de demanda que vai além das projeções de receita divulgadas em agosto.
No DigitalRadar, acompanhamos as gigantes que movem a tecnologia. Fique no radar para não perder as próximas análises.